Programa Pânico é banido da CCXP após atitude imbecil no evento [ATUALIZADO]


Não queríamos tocar no assunto.

Mas é importante, afinal, atitudes imbecis como a que falaremos aqui precisa ser repassada e vista pelo maior números de pessoas possíveis.

Vamos aos fatos:

O Programa Pânico esteve nesse final de semana na CCXP 2015, onde lá entrevistaram alguns cosplayers, fizeram aquelas piadas idiotas e mais umas outras coisas que só eles conseguem fazer. Veja a matéria completa aqui. Mas o que gerou a grande polêmica foi a entrevista de uma moça fazendo cosplay da personagem dos Jovens Titãs, Estelar. Segundo ela, eles a puxaram do nada sem permissão para entrevistá-la. Em certo momento, o entrevistador passou o dedo na pintura corporal de Myo Tsubasa e depois a lambeu.


Após isso, a moça publicou em seu Facebook um descontentamento enorme com o programa - que pode ser lido aqui - depois, o fato tomou grandes proporções chegando até a diretoria do evento, que então, fez um pronunciamento oficial banindo o programa de eventos futuros:

Na CCXP - Comic Con Experience, todas as pessoas são bem-vindas e incentivadas, sem preconceitos, a ser quem são - ou quem desejam ser. É um ambiente harmonioso que defendemos, um lugar onde cosplayers, nerds, gamers, cinéfilos, leitores de quadrinhos e simples curiosos convivem com respeito. Numa convenção de cultura pop, o contrato social que sonhamos para nós - em que toda diferença é aceita e celebrada - torna-se realidade.

É com tristeza e um sentimento de desgosto, então, que assistimos à maneira como o programa Pânico na Band, incapaz de lidar com o diferente, traz para dentro da CCXP seus preconceitos de gênero e seu franco desrespeito, entrevistando cosplayers com grosseria - chegando a lamber uma visitante. Depois desse incidente lamentável o Pânico na Band foi banido da CCXP 2015 e de todas as atividades organizadas a partir de hoje.

Não se trata aqui de discutir limites de humor. A cobertura do Pânico na Band da CCXP 2014, inclusive, foi muito bem-humorada e eles foram credenciados para a nova edição dentro desse espírito. No entanto, assédios moral e sexual são temas seríssimos e preocupações constantes em convenções de cultura pop no mundo inteiro - assim como fora delas. As atitudes do Pânico na Band dentro da CCXP representam um retrocesso que não podemos aceitar. Ninguém pode, não mais.

O senso de humor é um componente fundamental do cosplay. Nesta segunda-feira a web ainda se diverte com as imagens dos trajes mais inventivos que passaram pelos quatro dias da convenção, do meme de Pulp Fiction às crianças vestidas de Coringa. Mas o cosplay também é uma forma de expressão que ajuda muita gente a fantasiar, com segurança, com aquilo que deseja para si. Pessoas aderem ao cosplay para se tornarem mais fortes, usando a interpretação e a confecção de seus trajes para lutar contra quadros de depressão, para manifestar sua sexualidade, para trabalhar sua auto-estima, como um super-herói.

A organização da CCXP repudia com indignação a postura inaceitável do Pânico na Band porque ela desmancha esse encanto do qual depende qualquer convenção de cultura pop. Mas os cosplayers, os nerds, os gamers, os cinéfilos e os leitores de quadrinhos são maiores, mais unidos e mais fortes. E um dia o contrato social de tolerância que estabelecemos dentro dessas convenções vai se espalhar porta afora, como um coro.


Gostaríamos de dar os parabéns pela atitude dos organizadores do evento, e apenas sentir vergonha de um programa tão nojento como o do Programa Pânico. Lamentável.


[ATUALIZADO] Apesar de toda essa repercussão, até o momento, nenhum dos integrantes do Programa Pânico, muito menos o programa, haviam se pronunciado. Agora, o repórter Lucas Maciel comentou sobre o que aconteceu em seu Twitter.

Segue as mensagens postadas por ele sobre o acontecido: