Mulher-Maravilha | Crítica



A responsabilidade que o primeiro filme solo de uma heroína inspirada em quadrinhos tinha era muito grande. Em um universo onde o Batman e o Superman tem vários filmes contando e recontando sua origem a Mulher-Maravilha ficava representada apenas pelo seriado de tv estrelado pela Lynda Carter nos anos 70. Faltava essa representação cinematográfica da Princesa das amazonas para completar a trindade da DC.
Com essa pressão em trazer a primeira heroína dos cinemas, a diretora Patty Jenkins não perde tempo com enrolações e conta uma clássica história de origem de uma maneira leve e com traços divertidos.Com o roteiro de Allan Heinberg o filme não deixa pontas soltas e nem perguntas sem respostas. 
 Diana é mostrada ainda criança, mas desde já ansiosa para ser treinada como as outras amazonas. Desejo esse que não é compartilhado por sua mãe Hipólita(Connie Nielsen) – a rainha das amazonas. Com medo que algo de ruim aconteça com a sua filha ou que ela descubra segredos sobre o seu passado, Hipólita não demonstra muito interesse nesse treinamento. Já Antíope(Robin Wright), contrária aos pensamentos de sua irmã Hipólita, começa secretamente a treinar a garota, com medo de uma futura guerra que ela acredita estar próxima.
A história das amazonas é contada de uma maneira simples em uma história para dormir, o que só serve como uma inspiração para a jovem Diana ingressar fortemente em seu treinamento, onde começa a descobrir os seus poderes até a chegada de Steve Trevor que faz a história acelerar trazendo a trama da primeira guerra mundial.
Assustada com as histórias sobre a guerra e inspirada pelo passado das amazonas Diana resolve deixar para traz toda a beleza e magia de Themyscira e acompanhar Steve, acreditando que o Deus da guerra Ares (David Thewlis) está por trás disso sente que é seu dever mata-lo e livrar a humanidade desses tempos sombrios.


Gal Gadot dá vida a uma Mulher-Maravilha ingênua e inocente, sem perder toda a sua força, que conecta-se facilmente com o Steve trevor experiente que o Chris Pine trouxe. Criando uma veia cômica e muito fácil de conectar-se ao público o romance vivido por eles dois não cai no clichê clássico onde um precisa sempre salvar o outro, a conexão entre a dupla e a força que ambos tem é um diferencial para a história que fica um tanto cômica novamente com a aceitação que o Steve tem de que tudo bem ser salvo por ela e o contraste que ela vê  entre uma temiscrira onde só tem mulheres e uma Londres conservadora com espaço apenas para os homens.
Outro clichê que o filme escapa é o fato do herói contestar seus poderes, em momento algum Diana mostra-se arrependida ou desanimada. Muito pelo contrário, quanto mais intenso a luta parece mais a princesa amazona parece sorrir. Como se sentisse que está realmente fazendo o seu dever.
A naturalidade em que os personagens são apresentados a Diana traz uma força muito significativa para a história. Desde Hipólita e Antiope que são suas maiores inspirações para a luta, passando por Trevor em uma história de amor sincera e ponderada entre o romance e a comédia ,até a amizade com Etta candy que mostra de uma maneira crítica como as mulheres precisam se portar em uma época onde nem mesmo o direito a voto lhes é permitido e o time formado pelo Árabe Sameer, pelo Escocês Charlie e pelo nativo-americano Chefe trazem uma complexidade maior para a personagem e acerta intercalando os momentos de drama ou de humor.
A única coisa que foge um pouco do realismo que o filme traz é a construção dos vilões, mostrando pouca motivação e em alguns momentos situações rasas. A doutora veneno(Elena Anaya) e o General Ludendorff (Danny Huston) protagonizam bons momentos enquanto Ares se perde um pouco entre ser um inimigo comum que apenas testa a humanidade e ser um Deus da guerra que busca dar um fim em tudo. Embora isso não atrapalhe a grande lição sobre a humanidade que a Mulher-Maravilha precisava aprender.


Com um visual incrivelmente colorido e uma trilha sonora que encaixa perfeitamente na história, o filme descola daquele universo “sombrio” e traz uma Mulher-Maravilha com esperanças de que o mundo pode ser melhor. O filme é a prova de que a Princesa amazona só precisava de uma chance para mostrar todo o seu potencial no cinema. Um filme que é dirigido e estrelado por mulheres mostra a força e o protagonismo que a Diana sempre teve sem precisar desmerecer gênero ou mostrar superioridade, na verdade a simplicidade e o carinho que a Mulher- Maravilha tem tanto com seus aliados quanto com as pessoas a quem ela quer proteger é o que torna a representatividade dessa heroína tão forte e tão amável.  
Mulher-Maravilha | Crítica Mulher-Maravilha | Crítica Reviewed by Yara Lima on junho 01, 2017 Rating: 5