CRÍTICA │ A História Americana contada por Kay Graham e Mark Felt

Tradução: Nixon Renuncia

The Post: A Guerra Secreta e Mark Felt: O homem que derrubou a Casa Branca são filmes que retratam alguns conflitos marcantes na política americana, focando no governo Nixon. Mesmo que ambos não tenham uma ligação direta entre si, pelo menos nada confirmado até hoje pelos diretores, um complementa a história do outro.


The Post (2018) e Mark Felt: O Homem que derrubou a Casa Branca (2017)

The Post, dirigido pelo Steven Spielberg, conta a história da ascensão do jornal “The Washigton Post”, precisamente na época que teve a primeira mulher no cargo de CEO, Kay Graham (Meryl Streep), onde assumiu a direção do jornal após o suicídio de seu marido. De dona de casa a uma diretora de uma grande empresa. Da noite pro dia, Kay Graham (Meryl Streep) teve sua vida de ponta a cabeça. A atriz Meryl Streep, com todo seu esplendor conseguiu captar essa transição e amadurecimento, a tornando real e criando um vinculo com o público, que torce pelo seu sucesso.

Em 1971 documentos acerca da guerra do Vietnã vazaram do Pentágono e divulgados pelo jornal “The New York Times”, porém depois de 2 dias publicados, por uma decisão judicial o jornal teve que suspender as suas publicações acerca desses documentos, tendo em vista a segurança nacional americana. Com isso Ben Bradlee (Tom Hanks) viu a oportunidade para o crescimento do “The Washington Post”, com a publicação dos documentos da guerra, e assim motivando outros jornais a fazer o mesmo.


Ben Bradlee (Tom Hanks) e Kay Graham (Meryl Streep)
Neste momento do filme, há uma cena em particular que deve ser ressaltada. O nascer de uma mulher emponderada.  Mesmo que Kay Graham (Meryl Streep) já esteja em seu cargo de CEO, ainda estava sendo muito silenciada e subestimada. Em um mundo dominado por homens, a sua voz ainda não era ouvida, até que em um momento decisivo da trama ela se impõe e influencia o rumo da história americana, e na atuação de Meryl Streep podemos ver que ali estava a mulher que comandaria um dos maiores jornais dos EUA até sua morte com êxito, uma ganhadora de um Pulitzer.

Enfim, todos os documentos que foram divulgados feriram a integridade do Presidente Nixon, e colocando em dúvida o seu comprometimento com os cidadãos americanos, tendo em vista que tinha o conhecimento que a guerra já estava perdida, mas mesmo assim mandava jovens para morrer. Preocupando-se apenas com a imagem internacional, e não com as necessidades de sua nação.

O modo de defesa do Presidente foi banir alguns repórteres da Casa Branca, e iniciar uma disputa judicial para silenciar a voz da imprensa. Mesmo que isso tenha ocorrido há mais de 40 anos, ainda assim é um assunto muito atual com o governo de Trump, onde o mesmo trata como “Fake News” todas as críticas sobre ele que não o agrada, tentando de qualquer modo desvalorizar o jornalismo.

 Kay Graham e Ben Bradlee
O filme encerra com o começo do Caso Watergate, dando um gancho para o filme “Mark Felt: O Homem que Derrubou a Casa Branca”.

O Caso Watergate foi conhecido por estimular a renúncia do Presidente Nixon, e alimentar ainda mais as dúvidas sobre seu governo, que surgiram anteriormente através dos jornais já mencionados. Este caso, foi marcado pelo desvio de verba da campanha eleitoral com fins de espionagem para obter vantagens nas eleições.

O filme “Mark Felt: O Homem que derrubou a Casa Branca”, dirigido pelo Peter Landesman,  traz a perspectiva do FBI, e não dos jornalistas como foi feito em “The Post”. No entanto o jornalismo ainda se faz muito presente, pois é com a ajuda dele que os planos de alguns agentes vão se concretizando no decorrer da trama.


Mark Felt (Liam Neeson)
Após vermos todos os jogos políticos, Mark Felt (Liam Neeson) começa a utilizar o meio jornalístico ao seu favor, tornando-se assim a “fonte” do jornal “The New York Times”, conhecido como "Deep Throat" (garganta profunda) entre os jornalistas, que mais uma vez publicaram diversos segredos do governo Nixon. Neste filme é evidente a exposição do lado obscuro de uma das organizações mais respeitadas do mundo, e como chega ser invasivo e imoral o trabalho de muitos agentes. E depois dos esforços dos agentes do FBI, e dos jornais em trazer a verdade sobre o governo à tona, em 09 de agosto de 1974 Nixon se torna o 1º e único presidente dos EUA a renunciar o seu cargo.

Mark Felt; deep throat

A semelhança na direção de ambos os filmes é notória, fazendo com que até você pense que um é a continuação do outro. Liam Neeson, Meryl Streep e Tom Hanks honram com suas atuações exorbitantes a história americana, nos transportando diretamente para os anos 70, uma época em que a liberdade de expressão e privacidade estavam em risco. Talvez não tão diferente de hoje em dia.

Ambas obras cinematográficas respeitam a história americana, e apesar de conter teor histórico e biográfico, entretêm os espectadores com emoção, suspense e tensão.

The Post está concorrendo ao Oscar de Melhor Filme, e de Melhor Atriz com a Meryl Streep.

CRÍTICA │ A História Americana contada por Kay Graham e Mark Felt CRÍTICA │  A História Americana contada por Kay Graham e Mark Felt Reviewed by Ilha Paraíso on março 02, 2018 Rating: 5

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